terça-feira, 8 de março de 2011

VOZES DA PESCA

A integrante da comissão PEA-OGX de São Francisco de Itabapoana, Nurieve Minguta, fala sobre a sua experiência no Projeto de Educação Ambiental desenvolvido nas comunidades de Guaxindiba, Barra e Gargaú. Confira!


SOMA: Como vem sendo a participação dos pescadores no PEA-OGX de São Francisco de Itabapoana?


Nurieve: Muito interessante porque os pescadores puderam opinar na escolha do projeto, onde nós tivemos as votações em assembleia. A maioria dos pescadores pediu cursos e nós estamos neste processo de negociação para a realização destes cursos. A parceria e a conversa com o pessoal que vem trabalhar com a gente também é muito interessante.


SOMA: Por que os pescadores escolheram a realização de cursos como base do projeto PEA-OGX?


Nurieve: A comunidade optou pelos cursos de informática e de mecânica de motor a diesel. O de informática, porque agora pra se arranjar um emprego depende-se muito de informática. Qualquer serviço ou vaga que você procurar, eles pedem, pelo menos, o básico. E o de mecânica a diesel, os pescadores escolheram porque, caso aconteça algo com eles em alto mar, eles mesmos podem consertar alguma peça para dar tempo de chegar em casa, pois muitas vezes eles ficam à deriva no mar. Então não tem como pedir um socorro, ou demora muito. E às vezes é uma coisa mais simples que eles mesmos podem fazer o conserto e conseguir voltar pra casa. Nós temos uma carência no município muito grande de mecânicos. Por exemplo, na Barra, a gente não tem mecânico, só em Gargaú. Então é muita dificuldade, pois o pescador tem que esperar uns dois ou três dias por um serviço que ele próprio possa fazer no seu barco.


SOMA: O que você acha sobre o processo educativo que vem sendo desenvolvido dentro da comunidade?


Nurieve: Nós percebemos um empenho muito grande do pessoal que está trabalhando para nos ajudar, pois são companheiros e, se precisarmos deles, eles estão à disposição para ajudar a gente. E a comunidade em si está animada de poder fazer um curso, pois ninguém nunca fez um tipo de projeto assim que fosse levar o curso para o pescador dentro da comunidade, na localidade do pescador. Os pescadores estão satisfeitos até mesmo na questão de receberem um certificado, para mostrarem um currículo numa empresa e para saberem que eles sabem alguma coisa. E tem até alguns pescadores que pensam em estudar mais para poderem se aperfeiçoar no curso ou, até mesmo, montar algum negócio.

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