Os meios de vida consistem nas capacidades, atividades e recursos necessários para vivermos. A análise dessas atividades busca identificar os objetivos, o alcance e as prioridades adotadas para o desenvolvimento de uma população, considerando a qualidade de vida e equilíbrio diante de cada recurso. Um meio de vida é sustentável quando pode enfrentar e recuperar-se de um impacto, mantendo ou expandindo sua capacidade, sem prejuízo para os recursos naturais que lhe servem de base.
Entender os meios de vida necessários ao nosso sustento é compreender também formas e possibilidades de enfrentarmos as dificuldades individuais ou coletivas que fazem parte da nossa vida cotidiana. Para que esta análise seja precisa, os meios de vida são analisados através de cinco tipos de recursos que nos rodeiam e dos quais fazemos uso para viver:
Financeiros: dinheiro, poupança, salários, acesso a crédito, bens de troca ou bens que podem ser comercializados (peixes, ovas, derivados), etc.;
Naturais: flora (plantas), fauna (animais), biodiversidade. Envolve a qualidade do ar que respiramos, da água que utilizamos, do solo em que vivemos, etc.
Físicos: propriedade (terreno, casa, equipamentos, barcos, redes de pesca, etc.) ou direitos especiais sobre o uso de propriedades, acesso à água potável encanada, eletricidade, e serviços como escolas, centro de saúde, transportes (públicos e/ou privados), meios de comunicação, etc.
Humanos: habilidades, conhecimentos específicos, educação, cultura, saúde, motivação, ética, integridade/honestidade, fé/espiritualidade, etc.
Sociais e Políticos: família, amigos, associações (formais e informais), cooperativas, sindicatos, contatos e redes de contatos, possibilidade de receber, trocar ou outorgar favores (clientelismo/favoritismo), capacidade de influenciar, de mobilizar (liderança), capacidade de participar de eventos, etc.
Atualmente, o MVS está sendo utilizado nas comunidades onde o projeto de compensação já foi implementado: Campos dos Goytacazes (reforma da Colônia Z-19), Itapemirim (construção da Colônia Z-10) e Macaé (caminhão isotérmico). O objetivo é provocar uma reflexão comunitária, juntamente com uma análise crítica que avalie o fortalecimento dos recursos ao longo do projeto.
A análise dos Meios de Vida Sustentáveis (MVS) foi realizada no início do PEA-OGX, em 2009, e agora está sendo refeita pelas classes pesqueiras desses municípios. O resultado confirma que a implementação do projeto de compensação ambiental, vem trazendo melhorias aos recursos locais, quando comparados com a análise realizada em 2009.
Após a recente aplicação dos MVS nos três municípios, a percepção das comissões foi de que os recursos humanos, sociais e físicos foram fortalecidos com os respectivos projetos. Segundo a integrante da comissão PEA-OGX de Itapemirim, Lucila Lopes, “a sede foi uma conquista” e é o exemplo do fortalecimento dos recursos físicos adquiridos pelos pescadores locais. Já Seu Zezinho, da comissão PEA-OGX Campos dos Goytacazes, aponta que, outro resultado positivo é a melhoria na organização social dos pescadores do Farol de São Tomé: “Hoje em dia há um melhor engajamento e união da classe pesqueira”, a exemplo do fortalecimento aos recursos sociais adquiridos com a reforma da sede da Colônia Z-19.
Confira abaixo a comparação dos gráficos com as análises dos Meios de Vida Sustentáveis (MVS), analisados nos anos de 2009 e 2012, no município de Itapemirim:

E análises feitas em Campos dos Goytacazes e Macaé:





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